Primeiro Amor

Por: Farisa Moherdaui

A gentil senhora estava querendo se lembrar quantos anos se passaram desde quando começou a estudar naquela escolinha modesta, mas onde havia muito carinho, respeito, busca do saber e até o seu primeiro amor.
 
A menina graciosa, sete anos de idade e o garoto sardento e esperto, nove anos. Tudo era bonito, alegre, desde as simples brincadeiras à troca de sorrisos e olhares inocentes. Era o que lhes bastava para que fossem “namorados”. Namoro saboroso e temperado, mas somente em horário de recreio. Era esse o momento da troca de lanches, regada a discussões e algumas lágrimas quando na hora da partilha entre os dois. Um sempre achava que o outro ficava com a parte maior, fosse das rosquinhas, dos biscoitos, pé de moleque, pão de queijo e até o suco de groselha. Pintavam então desacordos e pirraças.
 
Mas era também naqueles instantes que as mãozinhas se tocavam de leve e os corações batiam tum, tum, tum; isso era o que bastava para que ficassem de bem os felizes namorados.
 
E o tempo implacável passou, passou e continua a passar deixando rastros, ora de alegria, ora de tristeza, recordações, esquecimentos, infância, juventude e velhice.
 
Quanto à escolinha, a gentil senhora conta, deixou de ser modesta ou quem sabe, deixou de existir; as organizadas filas entre os alunos já não existem mais; poucos também os que buscam o verdadeiro saber; recreios com brincadeiras de mau gosto e perigosas; o lanche sem tempero e sem sabor, dando lugar a coisas estranhas e carregadas de perigo.
 
Mas e a menina graciosa, o garoto esperto e sardento como serão hoje, por onde andarão?
 
- A menina de ontem, hoje é  idosa senhora que ainda guarda lembranças, mas do garoto esperto e sardento, ninguém sabe, ninguém mais viu. Que pena...
 
 
Farisa Moherdaui, professora 
 

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