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Por: José Borges da Silva

No último sábado de maio eu assistia a um “Jornal de TV”, pouco atento, porque vira outro pouco tempo antes, e todos trazem quase sempre a mesma coisa: protestos, violência, crimes, corrupção... Mas, de repente, antes do intervalo comercial, que eu aguardava com o controle na mão, pronto para dar aquela passeada pelos canais que temos à disposição, ouvi, no resumo do próximo bloco de notícias: “físicos holandeses garantem que o teletransporte de matéria deixou de ser ficção”.  Foi o que bastou para eu jogar o controle sobre o braço da poltrona e ficar atento. Assisti a todos os comerciais e, depois um ameno apanhado de notícias desportivas, o apresentador resolveu dar as boas notícias que tinha. Anunciou que uma sudanesa, que havia sido condenada à morte por deixar o Islã e se casar com um cristão, será libertada pelas autoridades do seu país... Que um paraplégico, usando um exoesqueleto, dará o pontapé inicial da Copa do Mundo, e que esse equipamento, desenvolvido com a ajuda de um neurocirurgião brasileiro, será capaz de permitir que pessoas com sérias lesões na medula possam recuperar os movimentos... E encerrou o jornal repetindo a manchete que me prendera: “A Revista Science publicou artigo em que cientistas holandeses afirmam haver conseguido transportar um átomo com por cento de precisão”. Mas esclareceu que os físicos, na verdade, transmitiram as informações quânticas de um átomo, e que isso, por ora é capaz de propiciar computadores mais seguros...  Mas, isso não já não é ficção, é notícia! E como não lembrar antigos filmes de ficção científica que falavam de um distante mundo em que era possível o teletransporte de pessoas? Isso sim são notícias! São novas, no sentido de novidade, porque a palavra notícia tem também a conotação de informação, não necessariamente nova. A serem confirmadas e repetidas essas experiências, em pouco tempo estaremos pedindo e recebendo pizzas pela Internet! E abandonando a recente preocupação com a acessibilidade nos prédios públicos, porque andar é muito melhor do que dirigir cadeiras de rodas! E quiçá os homens deixem de vez de cultivar inimigos por causa de diferenças, sejam políticas, sejam de preferências, sejam religiosas... Como as coisas mudam no tempo da comunicação! E como o futuro chega depressa, não é mesmo?
 
 
José Borges da Silva , procurador do Estado e membro da Academia Francana de Letras
 

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