Homenagens

Por: Luiz Cruz de Oliveira

Parece que foi ontem.
 
A nitidez das lembranças desvirtua a corrida do tempo, faz parecer que tudo aconteceu ontem, que os primeiros passos foram dados na semana passada. E, no entanto, já se foram vinte e seis anos.
 
Parece que foi ontem.
 
Foi em 1988 que o Partido dos Trabalhadores indicou o nome de Gilmar Dominici para concorrer a uma vaga na Câmara Municipal de Franca. Para isso, o seu irmão Giovani abrira mão de sua prerrogativa. À época, muitos julgaram errônea a decisão. Afinal, Geovani já fora candidato, e Gilmar estivera ausente da cidade, trabalhando em Uberlândia, portanto mais afastado do trabalho do partido aqui. Estavam errados os críticos. O trabalho e o carisma levaram o  Gilmar ao cargo de vereador, junto com mais três companheiros, número de vereadores não mais alcançado pelo partido nas legislaturas seguintes.
 
Naquele tempo, ainda batíamos pessoalmente de porta em porta. Sem acesso à grande mídia e sem recursos econômicos, candidatos – desde os majoritários – e militância visitavam a maior parte das casas da periferia, levando suas propostas e o nome de seus candidatos.
 
Assim que foi oficializada a candidatura de Gilmar, sua mãe, Dona Tomásia, passou a acompanhar aqueles candidatos. Iniciava sua caminhada às oito horas e persistia até a hora do almoço. A mulher batia à porta de uma casa e, quando uma senhora atendia, empenhava-se na apresentação do filho-militante-candidato. Despedia com sua voz mansa:
 
- Você também é mãe, me ajuda, bem.
 
O marido era avesso a conversas com estranhos. Não participava das andanças por distantes bairros, mas tinha o maior dos trunfos em favor do filho: a vida pregressa digna e exemplar. 
 
“O menino deve prestar. É filho do Ricieri.”
 
E o conceito do pai: homem muito sério, comerciante honesto, caráter irreprochável, falou alto nos ouvidos dos eleitores.
 
Parece que foi ontem.
 
O Gilmar foi eleito, exerceu dois mandatos de vereador, exerceu dois mandatos de prefeito, foi para Brasília, atendendo a convite do Presidente Lula. Exerceu assessoria em pleno Palácio do Planalto. Hoje, na Subchefia de Assuntos Federativos da Secretaria de Relações Institucionais, órgão ligado à Casa Civil, mais que bem sucedido profissionalmente, honra suas crenças, seus pais e a cidade alicerce de suas atividades cidadãs e políticas. 
 
Tudo aconteceu depressa demais.
 
Semana passada, amigos se reuniram para homenagear o Gilmar. O encontro se deu na Câmara Municipal. Estive lá, e me espantou o número enorme de prefeitos de diferentes partidos e cidades, mas sobretudo o número enorme de pessoas humildes da cidade.
 
Estive lá e abracei o meu amigo.
 
Mas, durante toda a cerimônia, meu coração enternecido abraçava o senhor Ricieri e beijava as mãos de Dona Tomásia.
 
Estas duas pessoas receberão sempre as minhas homenagens.
 
 
Luiz Cruz de Oliveira, professor, escritor, membro da Academia Francana de Letras
 

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