A Copa das Copas

Por: Chiachiri Filho

R. Kipling, escritor de língua inglesa, escreveu:
 
“Se és  capaz de manter a tua calma/ Quando todo mundo em redor/
 
Já a perdeu e por isso te culpa”// (...) Se és capaz de esperar/ Sem te desesperares” 
 
Esses versos vieram à minha memória por ocasião das declarações da Presidenta Dilma sobre a Copa do Mundo do Futebol: “Nós iremos fazer, no Brasil, a Copa das Copas.”
 
A Presidenta fez tal declaração num momento em que a imprensa nacional e internacional mostrava-se, em sua unanimidade, descrente com o possível sucesso do Campeonato. As obras dos estádios estavam incompletas, a maioria das obras de mobilidade urbana não haviam nem sequer começado, os aeroportos, congestionados, não ofereciam nenhuma condição de conforto aos seus usuários, os sistemas de comunicações encontravam inúmeras dificuldades para serem instalados. Até o Presidente da FIFA e o seu polêmico Secretário manifestavam o seu descrédito em relação ao grande evento futebolístico. Acresce-se ainda a ameaça dos manifestantes profissionais em fazer de tudo para “melar” a Copa. 
 
Foi num ambiente desses que a Presidenta Dilma apareceu para revelar o seu otimismo. Ela manteve a sua calma quando todo mundo já a havia perdido. Ela acreditou na capacidade do Brasil de realizar a grande festa do futebol. Ela soube esperar e está agora colhendo os frutos de sua obstinação.
 
Será que a Presidenta tornou-se uma profetisa? É claro que não. Na verdade, já está incorporado ao seu comportamento o espírito do político brasileiro. O político brasileiro é aquele que acredita quando estão todos duvidando, é aquele que espera quando todos já estão desesperados, é aquele que mantém a sua calma  quando todos estão nervosos e irritados. Enfim, o político brasileiro é um eterno e obstinado otimista. Se tal não fosse, com que cara ele iria aparecer nos vídeos, com que discurso ele  subiria nos palanques, que pílulas douradas e milagrosas ele poderia ministrar ao povo?
 
De fato, a Copa está sendo uma grande festa: os estádios ficaram prontos, os aeroportos e os sistemas de comunicações funcionaram, o povo perdeu o seu mau humor do ano passado e canta feliz pelas ruas do Brasil em confraternização com os “hermanos” de todo o mundo.
 
Realmente, a Copa é um sucesso, é a Copa das Copas. Mas, para atrapalhar a festa, o “hexa” não é “noxo”!
 
 
Chiachiri Filho, historiador, criador, diretor por oito anos do Arquivo Municipal e membro da Academia Francana de Letras
 

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