Como vai você?

Por: Camilla Alvim

Estou aqui sentada e pensando no que escrever e em qual formato devo escrever para dedicar minhas letras e chamá-las de NOSSAS. Foi um convite gentil e por isso com carinho estou a dedilhar esse texto na intenção de afagar você que o lê. Como me apresentar? Quem eu sou? Quem somos nós todos? Meu nome é Camila e tenho tantos outros nomes: Milla, Cá, minha flor do oriente como chamava a mim minha amada avó, para alguns eu sou: meu amor. Para outros- aquela ali e para meu filho eu sou: mamãe.
 
E você? Qual seu nome? Começar pelo nome é o mais fácil no processo de se saber quem é.
 
Meus textos são cartas, então espero que você as receba com o peito aberto. Por esse meio (o jornal) eu lhes amputei o prazer dos selos, dos envelopes e daquele cheiro inconfundível de papel - devo ainda confessar que eu tenho o habito de perfumar meus envelopes. Sei que roubei o prazer da entrega pelo correio, desculpe-me. Ainda assim devo prevenir o leitor de que esse texto é ainda uma carta. Não se preocupe com isso aos poucos verá que apesar de tão publica e aberta essa conversa é NOSSA, é intima e é zelosa para com suas aflições e para com as minhas, não sei se teremos ou não frequência e regularidade, mas por hoje eu estou aqui com você.
 
Eu sou poeta, sou escritora e sou uma mulher sem grandes pretensões de ser artista; aliás, o fato é que a artista tem uma imensa pretensão de ser mulher e apenas mulher.  Ser mulher é muito maior que ser artista. Ser mulher é acalmar o mundo dentro de si e ser artista é esfarelar-se e ir com o vento mundo afora. 
 
Minhas vontades chegam sempre na contramão da minha razão, eu começo e recomeço pelo fim todas as coisas e penso de maneira sinestésica. Sinto o cheiro da dor e posso ver a cor de um choro a quilômetros de distância. Sou tão rosa quando sou feliz e embalo-me para ninar no riso de uma criança. Eu me apaixono ao menos três vezes ao dia, mas mantenho o amor uma vez na vida. Ainda não mantive amor algum, sou só no amor. 
 
Não engaiolei na vida sentimentos (nem bons e nem maus) e deve ser por isso que vez por outra algum afeto doce me ronda os ouvidos e alguma magoa me corrói os olhos e eles inundam-se. Meus olhos chovem com grande frequência.
 
Eu gosto de conversar e de escrever conversas que teríamos tomando um café, mas não sei fazer café. Então por aqui eu me despeço neste texto onde comecei a falar da vida e das coisas que escorrem por nossas vontades comuns e vez por outra venho cá para pousar minhas letras e transformá-las em nossas através de uma velha prosa de vizinhos, das  quais eu também sinto imensa falta.
 
Um abraço
 
 
Camilla  Alvim, autora

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