Mães da Baixada Fluminense

Por: Carlos de Assumpção

Poema em homenagem ao amigo Luiz Cruz
 
As estrelas e a lua
Seguem com olhar 
De piedade grupo 
De mães da Baixada Fluminense 
Perdido sem morte  sem rumo
No labirinto da cidade
Procurando desesperadamente 
Seus filhos queridos
Desaparecidos de repente
 
As estrelas  e a lua 
Viram tudo o que aconteceu
Viram tudo e nada dizem
Viram ódio correrias
Viram fuzis  metralhadoras 
Viram manchas de sangue no chão
Viram tudo e nada dizem
Às mães infelizes
 
Junto com elas caminha
Sem que ninguém a veja
A mãe daquele que ensina
Há mais de dois mil anos
A união entre homens
O amor entre homens
E a humanidade
Ainda não aprendeu
 
O sofrimento que essas mulheres
Carregam no ombros é igual
Ao de mães argentinas
Que em praça de Buenos  Aires
Levantam estandarte de indignação
Pelo desaparecimento
De filhos queridos também
 
Tocai sinos das igrejas
Rufai tambores dos terreiros
 
Pela mães desesperadas
Pelos filhos desaparecidos 
Pelos sonhos assassinados
Atrás da noite
Pelos fatos sem solução 
Na América na África 
No mundo inteiro
 
Tocai sinos das igrejas
Rufai tambores dos terreiros
Amém
 
 
Carlos de Assunção, poeta, advogado, membro da Academia Francana de Letras e membro do Coletivo Cultural Poesia na Brasa /Capital
 
 

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