Confidências

Por: Luiz Cruz de Oliveira

Devassados todos os recantos
Confirmada a ausência
De outros viventes
Em todos os cômodos dos cômodos
O silêncio falou cúmplice 
Cochichando
Confidências.
 
Asseverou que desde sempre
Desde a cumeeira dos Andes
Qual condor iluminado
Uma boina e uma estrela
Batem asas animadas
De anseios e direitos
De vida e de liberdade
Que fazem brotar ternura
Sobre rochas de certezas.
 
Garantiu que desde sempre
Canções de amor embalam a vida
E que há sempre
Uma canção desesperada
Para resgatar dores e ausências.
 
Segredou que desde sempre
Apesar de todas as mortes
Um homem e uma mulher
Escrevem a crônica
De uma vida anunciada
Que soldados e poetas
Amadas e amantes
Repousam desde sempre
Bem no alto
Nos braços do Redentor
Desde sempre realizados
Todos eles num coração
Verde azul americano.
 
 
Luiz Cruz de Oliveira, professor, escritor, membro da Academia Francana de Letras
 
 

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