Perto do céu…

Por: Paulo Rubens Gimenes

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Nenhum profissional é tão preparado para situações complicadas, de puro stress, como os funcionários das empresas aéreas. E não falo aqui dos pilotos das aeronaves, que diariamente suportam sobre seus ombros a responsabilidade pela vida de centenas, milhares de passageiros; falo dos atendentes dos guichês dessas companhias.
 
Quem já testemunhou a postura destes profissionais diante de irados clientes por causa de greves, atrasos, “overbooking” e desvio de bagagens, sabe do que estou falando. Nada, mas nada mesmo, tira esse profissional “do sério”.
 
Dizem que o fato deu-se na TAM. Aníbal - vamos nomear assim nosso atendente - foi chamado com urgência no departamento de cargas e bagagens; a voz carregada do interlocutor pressagiava sérios problemas e, como de costume, rapidamente porém com tranquilidade, Aníbal seguiu para o departamento.
 
Mal entrou no pavilhão de bagagens deparou-se com um funcionário desesperado que, apontando para uma caixa, gritava:
 
-“Ele morreu! O cachorro está morto! O que a gente faz agora?”
 
Calmamente, Aníbal verificou o conteúdo da caixa. Um cão shih tzu, macho, preto, adulto e… “mortinho da silva”. Com destreza, assumiu a situação e foi dando ordens – “Identifiquem o dono e arrumem uma desculpa para ganhar tempo”. Chamou de lado o funcionário apavorado que deu a notícia e ordenou:
 
-“Vá imediatamente até um canil ou pet shop e compre um cão idêntico a este!”
 
Passou o dinheiro para o subalterno e pediu, polidamente, rapidez.
 
Meia hora após, o cão substituto já estava com a coleira do defunto e, saudável, saltitava dentro da caixa. Problema resolvido, Aníbal retornou ao guichê da companhia.
 
Mais meia hora e seu rádio comunicador  toca, a voz do mesmo funcionário apavorado diz:
 
-“Sr Aníbal, o senhor pode comparecer aqui na sala de desembarque vip; dona Ruth, a dona do cãozinho, quer falar com o senhor, urgente!”. 
 
Com um sorriso cheio de dentes, Aníbal apresenta-se:
 
-“Pois não, em que possa ajudá-la dona Ruth?”. 
 
Extremamente nervosa,  tentando em vão manter a linha, a senhora  grita:
 
“Sou veterinária e trouxe este cão, que estava morto, para fazer exames e descobrir a real causa da morte do coitadinho. E agora como você me explica isso?” – desafiante apontava para o saltitante cãozinho.
 
Impassível, Aníbal responde:
 
-“Sabe como é… quando se fica muito tempo perto do Céu, tudo pode acontecer!”. 
 
 
Paulo Rubens Gimenes, Publicitário e ex-conselheiro do Comércio da Franca

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