Metas e metamorfoses

Por: Eny Miranda

Água pingente querendo ser rocha, o poeta reuniu o que lhe pareceram seus melhores versos, pô-los em um grande envelope e enviou-os ao Poeta para apreciação. A caixinha de correios passou a meca, meta, alvo de todas as suas atenções.
 
Foram-se os dias, os meses...
 
Virou-se para o lado cronista. Juntou o que lhe pareciam seus mais interessantes textos em prosa e os enviou ao Prosador.
 
Olhos e anseios voltados para a caixa de respondentes correspondências, viu passarem-se dias, meses...
 
Lembrou-se do que lera certa vez: “A vida era o vento querendo apagar uma lamparina.” Protegeu-se, pois. Amealhou todos os versos, adversos, reversos de crônicas palavras. Grão de terra, cisco, fechou-se em uma concha, a laborar calcários verbos. 
 
Passaram-se dias, meses, anos...
 
Então, olhos (en)cerrados neste seio de nacaradas clarividências, querendo ou não querendo, perolificou.
 
 
Eny Miranda, médica, poeta e cronista
 
 

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