Eu tinhx umx histórix prx contxr, mxs...

Por: Everton de Paula

Jx me hxvix xcontecido x mesmx coisx, só que nx épocx dxs mxquinxs de escrever, de dxtilogrxfxr. Quxndo eu teclxvx x letrx x, o mecxnismo dx mxquinx xcionxvx x letrx x. Dxvx umx rxivx, mxs nxo tinhx muito o que fazer.
 
Xgorx sucedeu o mesmo com o teclxdo do meu computxdor. Quxndo digito o x xpxrece nx telx do monitor o x.
 
Foi quxndo pensei se serix possível, em língux portuguesx escrever um texto, todo ele sem x letrx x.
 
Tenho um livro em minhx bibliotecx pxrticulxr com estx cxrxcterísticx: o livro, com 132 pxginxs, é todo escrito sem x letrx x. Tem o sugestivo título de “Desilusões de um só soluço”, cujo xutor é Odone Vontobel,  1983.  Vou reproduzir xqui um trecho:
 
“Num trem que segue como se seu destino fosse o fim do horizonte, sempre se pode ver uns olhos inquietos que, sem sono, seguem presentes no menor indício de perfume feminino. Foi num desses trens que um homem, que se tornou célebre pelo seu destemido cortejo de mulheres, encontrou dois olhos refletidos no seu rosto. Dizem que os desejos femininos só crescem no momento em que forem repelidos por um homem mulherengo. O que se pode dizer de tudo isso é que expressões, movimentos dos olhos, enrubescimento e sorrisos movidos por ventos comprimidos podem ser vistos como um relógio sem movimento: somente por um segundo, depois de muitos outros consumidos, podem convencer.”
 
E x coisx segue xssim, pxginx por pxgina.
 
Virxm como é possível? Sem x letrx x.
 
Xté pensei em escrever pxrx x colunx de hoje um texto com x mesmx cxrxcterísticx. Mxs nxo sou bom nisso.
 
Peço desculpxs xo leitor. Prometo que no próximo sxbxdo tudo se corrigirx. Isto se o técnico em informxticx conseguir cumprir sux xgendx comigo. Ou txlvez eu troque o teclxdo. Xcho que serx mxis lógico e mxis rxpido. 
 
Enquxnto isto, vou pensxndo numx novx histórix. Tchxu!
 
 
Everton de Paula, acadêmico e editor.  Escreve para o Comércio há 43 anos
 
 

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