De primeiro (12)

Por: Luiz Cruz de Oliveira

De primeiro, a cidade crescia muito lentamente. O ônibus urbano saía do ponto lá da Praça da Estação, descia a Rua da Estação, subia a Rua da Estação, ia até a Santa Casa, virava na Rua Júlio Cardoso, ia até a Praça João Mendes, o ponto final. Voltava, percorrendo o mesmo itinerário.
 
Nessa época a Prefeitura e a Câmara Municipal ficavam na Rua Campos Sales, 2010. Então o progresso impôs mudanças. 
 
Também a insatisfação humana – fome nunca saciada –  muda tudo. Foi ela quem cutucou os políticos, reclamando que a cidade evoluía e necessitava de instalações modernas para abrigarem o seu poder executivo.
 
Na sua primeira gestão, iniciada em 1962, o prefeito Hélio Palermo se mostrava descontente com a exigüidade do prédio que abrigava prefeitura e câmara, em cujo frontispício ainda hoje se encontra fixada placa com a legenda: Paço Municipal Ruy Barbosa. As instalações, de fato, não eram adequadas ao melhor exercício da administração e da legislatura, uma vez que o prédio fora erguido para abrigar a cadeia pública e o fórum que ali haviam funcionado desde 1913.
 
Assim, vencido pela insatisfação e pelas reclamações, o prefeito Hélio Palermo desapropriou o campo de futebol do Fulgêncio, localizado bem prá lá da Praça João Mendes, lá na beirada da cidade, e iniciou a construção de um então moderno prédio, destinado a ser o novo Paço Municipal. 
 
O alcaide seguinte, Dr. José Lancha Filho,   acelerou os trabalhos de construção do prédio. Já em seu primeiro ano de governo, em 1969, realizou ali a primeira Francal – Feira do Calçado de Franca. No ano seguinte, exatamente na semana de Carnaval de 1970, efetivou a mudança de todas as atividades da Prefeitura Municipal para o novo prédio, levantado na Rua Frederico Moura, 1517, embora ainda inacabado.
 
Em 1972, Hélio Palermo retornou ao comando do governo municipal e continuou a construção do edifício. 
 
Em 1977, assumiu o governo o senhor Maurício Sandoval Ribeiro. Ele praticamente deu acabamento à construção, instalando os pisos definitivos, fixando os balcões e divisórias. 
 
Vê-se, assim, que o atual Paço Municipal resultou do trabalho sequencial de quatro administrações, o que equivale a dizer que demandou vinte anos de trabalho. 
 
O antigo prédio que fora cadeia, fórum, Prefeitura |Municipal,  Câmara Municipal, acolheu o acervo do Museu Histórico José Chiachiri. Funciona há décadas sob o comando da funcionária pública Margarida Borges Pansani – segundo o poeta Carlos Assumpção, a única flor que não tem espinho.
 
Quem para e examina o prédio do museu, constata que se trata de edificação imponente e sólida – testemunho de que, de primeiro, as construções eram levantadas com os tijolos da convicção de que durariam muito tempo.
 
 
Luiz Cruz de Oliveira, professor, escritor, membro da Academia Francana de Letras
 
 

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