Riso que tarda

Por: Luiz Cruz de Oliveira

O poeta é ingenuidade só.
 
Ele vê a guerra, a opressão, a criança abandonada, acompanha os passos do andarilho. Então, uma borrasca avança desde suas entranhas e explode em forma de lágrimas ou de versos. Os raios, os trovões e a ventania permanecem, quase sempre, distantes de alheios olhos. A chuva torrencial  e bendita, porém, cai e lava todo o mundo interior do poeta.
 
Deus é bondade só.
 
Em sua espera tranqüila vê a dor do oprimido, vê mais um andarilho desorientado,  mais uma guerra louca, vê mais uma criança escorregando na orfandade e no abandono.
 
E Deus chora.
 
E suas lágrimas benditas chovem para que tudo floresça. O trigo e a flor colorem os montes e os brejos e as campinas todas. Então, em todos os cantos brota a esperança.
 
O poeta sabe. Espera que o mundo fique verde e que seu riso retorne.
 
 
Luiz Cruz de Oliveira, professor, escritor, membro da Academia Francana de Letras
 
 

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