Águas e algas de aragem

Por: Eny Miranda

Muito além dos mundos que se equilibram nos trampolins do céu; além de mil universos que se cruzam e se confundem nos infinitos do infinito, existe um espaço de ares e azuis intermináveis, onde densidade é transparência, carne é suspiro, ação é pensamento. Lá, oceano de cristais, águas e algas de aragem, mar de sopros semoventes, síntese sonora de cantos de sereias e cores de sargaços; lá, onde vazio é plenitude, silêncio é música, acromia é íris, afogam-se de beleza as almas poetas. Por entre labirintos de Hipnos e sentinelas de Morfeu, levados por Bóreas e Nótus, Eurus e Zéfiro, flutuam, “suspensos, soltos, como grandes algas” nos méis do Elba e do Reno; boiam, como grandes luas nos sais do Mármara; ondulam, como as Ondinas e as “Nixes da água furtacor...” de Guimarães Rosa, os amantes da poesia.
 
 
Eny Miranda, médica, poeta e cronista
 

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