O mérito da obstinação

Por: Luiz Cruz de Oliveira

José Santana da Silva, amigo e ex-aluno, está prestes a entregar ao público novo trabalho: A saga do vaqueiro.
 
Santana é dos muitos que não tiveram, em idade própria, acesso a meios para adquiri os conhecimentos que lhe possibilitassem a elaboração de uma obra literária. No entanto, foi-lhe impregnado o espírito da obstinação de que muito poucas criaturas são dotadas.
 
Nossa cidade já conhece e reconhece a luta de Santana em defesa da vida, reiterada frequentemente através de ações corajosas: publicação de livro, elaboração de uma bandeira do Planeta Terra, composição do Hino do Planeta Terra.
 
Agora, o que ele deseja mostrar aos companheiros e admiradores é uma narrativa – misto de ficção, de retrato do semi-árido do interior baiano e muito de autobiográfico. 
 
No meu entender, é no autobiográfico que reside o melhor de seu atual trabalho. Acho que esta parte tocará realmente o leitor. Tanto creio nisso que tomei a liberdade de transcrever curta passagem do livro:
 
“No mês de abril de 1955 foi até o Largo da Calçada, que fica na cidade baixa, em Salvador, capital do  Estado da Bahia, e embarcou no trem de ferro rumo a São Paulo. Com várias baldeações ao longo da viagem, após dez dias sem tomar um único banho e tendo como alimento, apenas farinha e carne seca assada na brasa, que levava em uma capanga de pano, comendo regrado, finalmente o trem estacionou na Estação Roosevelt, no Bairro do Brás, capital paulista.”
 
Esta e outras passagens me enternecem, fazem-me reconhecer mérito na grande obstinação que o acompanhou sempre e que o fez vencer etapas tão difíceis. Essa fibra de nordestino, já cantada em prosa e verso, trouxe Santana até o patamar em que trabalha e pensa os caminhos de sobrevivência da Vida.
 
 
Luiz Cruz de Oliveira, professor, escritor, membro da Academia Francana de Letras
 
 

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