Acho que estou obsoleta!

Por: Heloísa Bittar Gimenes

Nossa linda juventude, página de um livro bom.
14 BIS
 
Já faço parte de “ antigamente”. Achava estranho quando minhas filhas me perguntavam: Mãe, antigamente existia isso? Acho que este  “antigamente” chegou e deixou para trás marcas para serem lembradas.
 
Antigamente o cumprimento era feito com um “bom dia” ,”boa tarde” , “boa noite”, mesmo em se tratando de pessoas desconhecidas . Se você fosse pela primeira vez na casa de um amigo, deveria se reportar aos donos da casa agradecendo e cumprimentando-os, como forma de respeito.  Assim como respeito e cordialidade era trazer no rosto um sorriso.
 
As coisas nessa época eram combinadas no “fio do bigode”, e  o resultado disso era: Falou? Cumpriu. Comprou? Pagou. Convidou? Receba. Errou? Peça desculpas. 
 
Ah, existiam  etiquetas de bons modos que valorizavam suas condutas e seu nome próprio. Havia roupas para cada ocasião: a de ir à missa ,a de ficar em casa ,roupa para trabalhar ,outra para estudar, uma outra ainda de ir ao clube e aquela para ir à festa. “Misturar as estações” era deselegante e trazia consequências.
 
Nessa época do “antigamente”, tínhamos  alguns códigos de ética, que me pareciam naturais. Mestres eram autoridades e por isso respeitados. Idosos teriam sempre a preferência para sentarem e diante da presença deles nada de palavrões. Mulheres grávidas não deveriam carregar peso ou ficar em pé num ônibus lotado ou na missa.
 
Outra curiosidade, a Educação era uma tarefa dos pais e Ensinar uma tarefa da escola. Quando os pais eram chamados na escola., era porque o filho tinha ultrapassado alguns limites ou algo do gênero, e isso era motivo de desonra. Escolas públicas eram difíceis e quando corríamos o risco de “bombar” uma das soluções era “pagar alguma escola particular”  mais fácil para passar de ano; outra opção era “bombar” mesmo.
 
Crianças cantavam ciranda cirandinha, brincavam de bonecas e carrinhos e tinham medo do lobo mau. Papai Noel então, habitava no imaginário por muitos e muitos anos.
 
Existia Catecismo, Crisma, Evangelização, Mocidade Jovem, Grupo de Jovens , ou seja, você encontrava várias formas para falar , pensar e respeitar Deus. Era até um passeio de domingo. Primeiro missa , depois Praça Barão.
 
Outra boa marca, que perdura na minha lembrança até hoje, são as músicas. Quantas letras maravilhosas que decifravam e perpetuavam nosso momento....quantas juras de amor.....
 
Nunca me pensei saudosista, mas também nunca imaginei viver num mundo sem tudo isso. É, acho que sou ou estou obsoleta!
 
 
Heloísa Bittar Gimenes, psicóloga
 
 

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