Saia ... de baixo

Por: Chiachiri Filho

Mulheres brigam? Brigam e mais do que a gente possa imaginar. Não é como uma briga entre homens. Estes são mais brutos, imediatistas, diretos, objetivos. Após trocarem algumas palavras ofensivas e de baixo calão, partem logo para as vias de fato: socos, pontapés, rasteiras, pescoções, enfim, violências físicas. A briga entre mulheres é muito mais  fina e elaborada. Segue um plano, uma estratégia. Nem sempre termina com as terríveis unhadas e puxões de cabelo. Porém, quando chega a tal ponto, é bom sair de baixo porque a coisa é feia. Começa com os olhos: olhares de ódio, de raiva, de humilhação, de desprezo. Em alguns casos, bastariam  simplesmente os olhares para a destruição completa da rival.  Porém, a briga entre mulheres é muito mais demorada, permanente e sem tréguas.  Prolonga-se com provocações  recíprocas, sutis e desairosas sobre a vestimenta, o cabelo, a pele, o peso ( principalmente o peso ), a voz e os modos da adversária. Continua com as reiteradas ofensas veladas ou explícitas.  Atinge o auge com o bate boca aberto, franco, áspero, desabrido e que não se importa em chegar até o mais baixo calão. 
 
Pois bem, prezado leitor! Nestas eleições presidenciais estamos começando a assistir à contenda entre Dilma e Marina. É um duelo de gigantes. É um duelo que precisa  ser  visto e assimilado pelos homens interessados na carreira política. As mulheres vão dar um “show” de técnica, belicosidade, artimanha, agressividade verbal, avanços e recuos estratégicos.
 
Dilma ataca, Marina defende-se. Dilma bate, Marina faz-se de vítima.  Vai chegar um momento em que restarão só as duas na rinha da luta. Aí sim iremos ver a arte da guerra exercida por duas especialistas. Aí sim o horário político vai passar a ter graça, vigor, emoção, ação, suspense. Aí sim o horário político vai deixar de ser essa chatice  diária que invade os nossos aparelhos de rádio e televisão. Aí  sim a televisão brasileira voltará ao seu normal e mostrará  na tela o sangue, o suor e as lágrimas do cotidiano. Aí sim a verdade vai aparecer nua, crua e sem retoques.
 
Quem vai ganhar o duelo? Eu acho que nem Deus sabe.  O fato é que, às vezes, quem mais bate não é a vencedora. Às vezes, quem mais apanha acaba sendo a vitoriosa. 
 
A arte da guerra tem suas nuanças, variações, idas e vindas. No rodar de saias da política nacional, o melhor é sair de baixo e não emitir nenhum prognóstico
 
 
Chiachiri Filho, historiador, criador, diretor por oito anos do Arquivo Municipal e membro da Academia Francana de Letras
 

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