Para tudo tem jeito na vida

Por: Farisa Moherdaui

Achar uma pessoa feia ou bonita é questão de gosto, claro. Eu mesma em nenhum momento me vi bonita e ninguém viu, mas também nem muito feia, quanto mais levemente simpática e tá bom demais.
 
E falando em ser feia ou bonita, me lembro a história das duas irmãs que em tempos passados moraram numa fazenda lá pelos lados de Cássia ou Passos, não sei  bem. Boas moças, prendadas, mas feias, muito feias, diziam. Cozinhavam, lavavam, passavam, donas de casa. Mas o que mais sabiam, e gostavam de fazer, era dançar. 
 
Amavam a dança, mas nos bailes nunca tinham o prazer de dançar com um cavalheiro, o sonho de cada uma. Eles nunca as convidavam, tanto eram feias. Por mais que oferecessem doces sorrisos e lânguidos olhares, tudo ficava na vontade. E se uma delas fosse sozinha ao baile, acabava ficando pelos cantos como que esquecida. E a outra também passava pela mesma experiência.
 
Mas se gostavam tanto de dançar, resolviam dar um jeito na situação. Juntas iam ao baile e dançavam, ou seja, uma dançava com a outra e iam nesse embalo até o sol raiar. Com certeza eram vistas menos feias e mais felizes. E não perdiam a esperança de que um dia aquele moço arredio pudesse convidar para uma contradança, cada uma na sua vez. Sonho ou realidade; quem sabe?
 
Então, achar a pessoa feia ou bonita é mesmo questão de gosto; mas a própria pessoa sentir-se feia ou bonita é estado de espírito.
 
O bom mesmo é estar de bem com a vida; é buscar as pessoas que a gente ama, que nos amam e até as que não nos amam, aproveitando os momentos que a vida oferece, não perdendo a esperança e acreditando sempre.
 
 
Farisa Moherdaui, professora 
 
 

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