Saudades ou lembranças?

Por: Cristiane Ávila Paulo

Com frequência ouço que sentirei saudades dessa época em que meus filhos são pequenos...
 
Mas quando eles crescerem, não é esse o sentimento que quero ter, como já não tenho saudade de quando eram bebezinhos. 
 
Nem pensar querer novamente as noites sem dormir, os dias sem conseguir comer, tomar banho de gente...
 
Quero guardar dessa fase boas lembranças, memórias de um tempo muito gostoso, apesar de sacrificante.
 
Desejo aproveitar uma fase por vez e agradecer a Deus por ter conseguido superá-la.
 
Por mais que seja complicado lidar com a adolescência ou aceitar a independência total do filho adulto, quero viver cada momento sem olhar para trás com nostalgia.
 
Quero olhar para as fotos e vídeos sem lamentar que hoje é diferente.
 
Saudade dá a sensação de ausência, de privação, representa uma vontade de tornar a ver ou possuir alguém que não se tem mais... Essa é a definição dos dicionários.
 
E afinal, se os filhos ainda existem e continuam em nossas vidas a seu modo, porque tentar fugir da realidade e cultivar saudades do que nunca vai voltar?
 
Em vez de querer de volta a criança ingênua que venerava a mãe e estava sempre na barra de sua saia, não é melhor procurar entender e aceitar o filho como ele é e respeitar a vida que ele escolheu ter?
 
Assim, pode-se fazer da maternidade uma trajetória na qual sempre exista algo bom para se lembrar ao olhar pra trás.
 
Boas lembranças de cada etapa sim, mas saudades, jamais...
 
 
Cristiane Ávila Paulo, advogada
 
 

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