João e sua moto!

Por: Heloísa Bittar Gimenes

Vital e sua moto, mas que união feliz.
Corria e viaja era sensacional!
 
Vital e sua moto
Paralamas 
 
 
Vivemos algumas situações que nos marcam pela seriedade do momento, por isso vão virar histórias. Outras nos marcam pelo avesso, ou seja, são as risadas, os imprevistos e um tanto de inconsequência que são registrados. Estas situações vão virar “ causos”.
 
João, recém-formado e “durango”, ouviu falar de uma oportunidade “tentadora” de emprego lá pelos confins da Bahia. 
 
Sem pensar duas vezes, muito menos avaliar a distância, partiu euforicamente para o seu destino montado em uma moto.
 
Claro! As adversidades e os desconfortos foram comuns durante a viagem. 
 
Faltando ainda uns 70 quilômetros para a chegada, a chuva era torrencial, a estrada estava em plena pavimentação, plana e barreada, o que obrigava João a seguir ao lado, por uma trilha estreita, pois conseguir parar em cima de uma moto naquela estrada era como   “enxugar gelo”.  
 
Encontrou pelo caminho um mineirinho muito simples, de chapéu na mão, que lhe pede carona, mesmo desconhecendo totalmente aquele tipo de “condução”. Bastante constrangido, subiu na garupa procurando o máximo de distância corporal possível. Em vez de segurar na moto ou no João, segurava seu chapéu. Para cada curva, o mineiro endurecia o corpo, quando não o jogava para o lado contrário, exigindo muito mais destreza de João que mesmo assim se divertia muito percebendo o embaraço do novo amigo.
 
Começaram a ouvir um barulho de pequenos sininhos juntos, que ia se tornando cada vez mais alto: “ Blem Blem Blem!”. De repente surge um bezerro desembestado na frente da moto! O susto foi tão grande que fez João buzinar descompassadamente e o mineirinho agarrar ainda mais seu chapéu e esbugalhar seus olhos. Logo atrás da moto, a mãe vaca vinha correndo para salvar sua cria.
 
Pronto! Bezerro correndo, moto, João,  mineiro no meio e vaca atrás! 
 
Sem poder correr muito por conta da estrada enlameada, a vaca batia com os chifres no “fundilho” do mineiro empurrando seu peitoral para as costas de João, que sofria os solavancos. O chapéu naquele momento foi usado freneticamente para bater na cabeça da vaca, que insistia em chifrá-lo. Buzina e gritos:
 
- “Oh a vaca! Corre! A vaca!” - Gritava o mineiro, usando seu chapéu desesperadamente como arma contra a vaca.
 
- “Oh o bezerro na minha frente, não tem jeito!”- Gritava João que também buzinava, recebia as ”peitadas” do mineiro e acelerava a moto.
 
Depois de muitos solavancos, não se sabe como, a moto parou, a vaca encontrou sua cria, e o mineiro colocou-se a correr apavorado pelos campos, onde nunca mais ninguém teve notícias dele.
 
Gargalhando, João passou “a se sentir total....em seu sonho de metal!” 
 
 
Heloísa Bittar Gimenes, psicóloga
 

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