Sentidos

Por: Janaina Leão

Na adolescência jogava basquete no time da escola. Baixinha comecei como Ala e com o tempo passei a armar o jogo. Eu corria mais e isso me dava vantagens significativas contra as grandonas. 
 
Tempos depois já na faculdade fiz parte de uma banda. Não tocava nada mas era roadie, motorista, fotógrafa, maquiadora, figurinista, armava uns shows além de ser a fã número 1 – eles tocavam Janis Joplin.
 
Aprendi a ter visão de jogo, sabe aquela coisa de antecipar jogadas? Como o xadrez, um movimento determina os próximos, tanto seus quantos do seu adversário. Conforme a peça que você mover é uma corda no pescoço do rei. As vezes a gente tem simplesmente que passar a bola, ter paciência e observar num quadro mais amplo que eu chamo de: pico da montanha.
 
Quando a banda se formou havia só o vocalista e um baixo. Logo depois conseguimos um baterista, um guitarrista e de quebra duas backing vocal que as vezes afundavam a banda cantando mais alto que o vocal. A euforia as vezes desafina tudo.
 
Aprendi a ouvir cada instrumento separadamente e quando todos tocavam juntos dava para perceber quem dava uma nota fora. Essa percepção é ótima para degustar o Jazz.
 
Visão de jogo e audição seletiva: requisitos básicos da minha sobrevivência.
 
Ah! Tem também o golpe de vista: que desenvolvi fazendo balizas. 
 
 
Janaina Leão, psicóloga

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