Camaleão exposto

Por: Tânia Liporoni

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Não saímos ilesos de quase nada. Somos o resultado da infância, dos pais, dos amigos, da profissão, dos amores vividos. Vamos entristecendo, ficando mais realistas, perdendo ilusões, ganhando outras. Como muitos desses fatores ainda estão acontecendo, estamos sempre em mutação. E, é assim que deve ser. As experiências vividas vão deixando suas marcas no rosto e no coração. Sulcos  de alegrias ou de precaução; tranqüilidade ou inquietude; aprendizagem ou medo. Se pensarmos em uma situação vivida, podemos sentir raiva ou mágoa. Mas, na verdade, aprendemos com ela, ainda que seja uma pequena lição.  Perdemos muito com o envelhecimento, porém, há algo que só deve aumentar: sabedoria. Apesar do discurso ser de desapego, neste caso, seu acúmulo é desejável. Entretanto, o que é sabedoria? O sábio sabe. É esse conhecer o melhor caminho para se chegar às coisas, ou, não se chegar a elas. Um jeito de agir e falar, ou não agir ou não falar. É permitir que a vida aconteça sem desejar seu controle. Exposto à água, à poluição, ao som. É depois, lidar com isso com aceitação. Ser pacífico, sem ser submisso. Ser resultado é inevitável. O bom da história é que  é mutável. Sempre é tempo.
 
 
Tânia Liporoni, advogada e autora de Parceria de Um e Pega-me. Membro da Academia Francana de Letras

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