Doutor Artur

Por: Luiz Cruz de Oliveira

É possível que poucos saibam disso, mas Artur Mendonça Spinelli era também escritor, aliás, muito bom escritor. Seus livros têm, certamente, lugar entre os dos melhores prosadores da cidade.
 
Nosso relacionamento teve pouca duração. Infelizmente. 
 
Convivi mais com seu pai, doutor Jarbas Spinelli, meu clínico geral durante anos. Ele também escrevia, mas suas crônicas não foram além das páginas dos jornais locais, preocupado que estava com os problemas da comunidade e com os embates políticos. Já minha convivência com Artur foi motivada por muitas trocas de opiniões e experiências a respeito da arte de compor textos literários. Foi assim que tive a honra de ler os originais de seu último livro.
 
Problemas de saúde meus e dele afastaram-nos paulatinamente. E o distanciamento se fez tal que ele viajou e eu só o soube uma semana depois, através de convite para missa de sétimo dia, noticiado no jornal.
 
Artur Spinelli conquistou respeito e fama na sua atividade profissional. Era pediatra e granjeou fama de rígido e exigente no que tangia à responsabilidade das mães e de outros responsáveis pelas crianças que assistia.
 
Os seus dois primeiros livros  – Pra Você Não se Esquecer de Mim (2006) e Nos Eucaliptos da Capelinha (2007  – resultaram do desejo de fixar aspectos da trajetória humana os quais o impressionaram  durante sua vida acadêmica, no começo de sua atuação como médico e no dia a dia do consultório. Ambos são trabalhos que muito me impressionaram. 
 
Seu último livro – O Encontro Final– revela a tentativa de romper os círculos da memória e enveredar pelas searas da genuína ficção.
 
Primeiro, a doença. Agora, a morte.
 
A conjugação delas cortaram-lhe as asas literárias. Seus voos, no entanto, ficaram para sempre fotografados no coração de quantos tiveram o privilégio de se deleitarem com sua expressiva obra.
 
 
Luiz Cruz de Oliveira, professor, escritor, autor de 23 livros
 
 

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