‘Titereiro’ é poesia para incomodar a existência e dar conta do amor

Por: Guilherme Sobota

O títere (marionete) das poesias comandadas por Edison Veiga no novo livro de poesia lançado pela editora Patuá é, em uma palavra, o mundo: objetivo ousado, mas cumprido com graça pelo escritor e repórter do jornal O Estado de S.Paulo. 
 
Titereiro é a segunda obra de poesia de Veiga, com um elogioso prefácio de Miguel Sanches Neto. O primeiro, Enigma (2000), chegou às livrarias quando o autor tinha 15 anos - desde 2009, tem lançado livros entre o jornalismo e a literatura e participado de antologias.
 
No jornal, Veiga mantém a coluna Paulistices, trabalho que o marcou como repórter da metrópole. Em Titereiro, seus interesses estão na reflexão sobre o mundo e na invenção de um universo particular por meio do poema, sem deixar de lado, afinal, o amor
 
“Hoje é quase brega falar de amor na poesia contemporânea. Quase um tabu, por isso fiz essa brincadeira” - a terceira parte do livro, Vinte Poemas de Amor, é como um tributo a Neruda, mas com a qual Veiga evita a mesmice: no Soneto para Você Escrever, à Caneta, tudo que há é um espaço em branco, uma sugestão ao leitor.
 
Na primeira parte do livro, O Titereiro, ele investe em poemas com invenção, como, por exemplo, Imundando: “Principiei a desconstrução do mundo. / (...) Risquei meridianos, paralelos; / Arrisquei a morte pois a morte é perpendicular à vida / E de meridianos estamos todos setentrionais. / Peguei uma agulha bem pontiaguda / E furei o globo como se bexigasse Terra”, para então, concluir o “lugar” que ao poeta cabe: “Mas foi um estouro tão grande / Que virei bolha de sabão”.
 
A segunda parte, Algum Velho Álbum, traz poesias que resvalam em histórias mais lineares, como a desconcertante Poesia Crônica: “(...) Não fui trabalhar porque me estava triste. Muito triste. / Era como se morresse, ou melhor: / Transpirasse hipérbatos negativos / Como se houvesse água em pó / Para saciar a sede de quem vive na seca (...)”.
 
Ou ainda o poema Mais Triste Que Ser Lua É Ser Loser Minguante, que em seis versos define o equilíbrio que o livro aparenta buscar: “No meu sonho / todas as pessoas são tristes. / A diferença / é que umas constroem pontes / Outras / se atiram lá de cima”.
 
 
Guilherme Sobota, jornalista
 
 

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