Coisa de amigo

Por: Paulo Rubens Gimenes

Ah...os amigos! O que seria de nós sem esses anjos nas horas difíceis.
 
Mas como, graças a Deus, tragédias são exceções do cotidiano, pra que servem os amigos no dia a dia? Pra sorrir, dar boas gargalhadas; mesmo que para isso sejam necessárias algumas pequenas “sacanagens” entre estes amigos. Aliás, o grau de amizade pode ser medido pelo número de vezes que aprontamos algumas destas com nossos parceiros.
 
Meu sogro, um dos grandes contadores de ‘causos’ da Praça Barão, conta uma história que ilustra bem essa gostosa relação:
 
Final dos anos 1960, Franca ainda possuía pouquíssimos telefones (para que os jovens entendam, telefone é um tipo de avô do celular) e Lourival era o único técnico da região capaz de consertar este aparelho “moderno”.
 
Tonho, amigo de Lourival, num dia de tédio, sem nada a fazer, resolveu aprontar uma destas “sacanagens” com o companheiro. Pediu a um outro conhecido que ligasse para o amigo pedindo uma visita ao Hospital Psiquiátrico Allan Kardec para resolver um problema no aparelho telefônico de lá.
 
Em seguida, ele mesmo ligou para aquele hospital dizendo ser da Santa Casa e que um doente mental havia fugido de lá, que tinha alucinações e dizia ser (advinha?) “consertador de telefone”; ainda orientou que, se o sujeito aparecesse por lá deveria ser contido a todo custo até que a ambulância da Santa Casa fosse recolhê-lo.
 
Bingo! Lourival chegou ao Allan Kardec perguntando sobre o telefone com defeito e rapidamente foi imobilizado por dois fortes enfermeiros e trancado em um quarto onde ficou por quase quatro horas até tudo ser esclarecido.
 
A história rendeu muitas gargalhadas e um olho roxo em Tonho. Coisa de amigo!   
 
 
Paulo Rubens Gimenes, publicitário e ex-conselheiro do Comércio da Franca
 

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