Outonais

Por: Eny Miranda

Percebo os aromas
De tua presença,
Que se delineia
Em ouros e ocres
E matinais transparências.
 
Procuro tua essência
Em cada fruto prometido
E encontro teus olhos,
Na luz opala da tarde 
Abertos e consumidos.
 
Desvelo tua alma antiga
Cercada de chamas poentes
Nas brasas dos dias idos
E em cada folha perdida
Que enfeita os caminhos do vento.
 
Nestes tempos de fogo findo, 
Perfumes em notas de fundo,
Cinzas, essências...
(Notícias de renascimento) 
Eu te peço:
 
Revolve-me os vulcões extintos,
Controla-me os baobás,
E, antes, conserva-me a rosa.
 
Deixa-me nascer de novo
Na penumbra de teu ventre
E entre borbulhas buscar o sol.
 
Faze-me via de água doce,
Desde o brotar primeiro
Dos confins da terra.
 
Faze-me leito,
Limo, líquido,
Água corrente...
 
Rio em mar aberto.
Faze-me verbo e verso
Indo e vindo pelo universo.
 
 
Eny Miranda, médica, poeta e cronista
 

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