A fase das frases

Por: Paulo Rubens Gimenes

As crianças e suas frases! Que coisa mais gostosa, que mundo maravilhoso a se explorar este que existe nas frases que ilustram  como os pequenos veem o mundo.
 
Fonte de grande inspiração (o grande poeta Manoel de Barros dizia que muito de sua obra vinha de bate papos com seu filhinho), essa maneira lúdica, ‘sui generis’ de enxergar o mundo está presente como um bálsamo na vida dos adultos que têm a benção de compartilhar da companhia destes pequenos seres. 
 
Seguem algumas delas, deliciem-se:
 
Maria Fernanda, minha sobrinha que hoje está prestes a transformar-se em doutora, quando criança inspirou um de meus primeiros textos do Nossas Letras afirmando categoricamente: “Quando crescer serei treinadora de Pokemon.”
 
Já o seu primo Caio soltou pérolas como: “Quando crescer quero ter a profissão da minha avó – aposentado!”  ou, em início de alfabetização, em frente a um consultório médico “decifrando” os dizeres da placa disse: “Vovó estou precisando ir no ginecologista.”  
 
Contemplando o quadro da Santa Ceia, Paulinha pergunta à avó: “Vovó, a senhora conheceu Jesus?” Ou vendo um velho álbum de fotos: “Vovó, naquela época o mundo era preto e branco?”
 
Quando criança, respondendo à reprimenda de minha mãe por não ter tratado meu tio José, que era padre, por ‘senhor’, justifiquei: “Mas ele não é casado.”
 
Diego pergunta ao pai se quando ele era criança os dinossauros ainda existiam, ou meu sobrinho Totô esquivando-se de uma bronca por estar com o dedo no nariz: “Ô mãe, é só meu minguinho que tá procurando sujeirinha...” 
 
Ouvindo o CD MCB-MÚSICA CIDADÃ BRASILEIRA, Matias pergunta: “Pai, o Tio Paulão mora dentro do rádio?”
 
Não menos deliciosas são as “versões” das músicas e adágios. Passei anos cantando e não entendendo o que seria o “berro” que o gato deu;  já o João aparece com a expressão: “Pernas pra kit kat !”.
 
O fato é que, para quem tem ouvidos, não há nada melhor do que escutar prosa de criança. Aproveitemos, pois o tempo passa e, pelo menos em minha família, as crianças estão virando adultos e, consequentemente, seus dizeres menos atraentes.
 
Anseios de “avoternidade”? Ainda não; por enquanto só tio, Tio Paulão.
 
 
Paulo Rubens Gimenes, publicitário e ex-conselheiro do Comércio da Franca
 

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