Ainda assim, alegria!

Por: Heloísa Bittar Gimenes

(Para todas as mães que, como eu, plantaram uma estrela no céu) 
 
 
Nasci acompanhada da alegria. Na maior parte da minha história, ela se fez presente deixando suas marcas, fortalecendo meu coração, iluminando meu rosto, deixando meu sorriso frouxo.
 
Porém, um dia, precisei plantar minha “Estrela” no céu e aí em mim a tristeza fez morada.  Expulsou a alegria e com ela o que eu tinha de melhor. O riso cedeu ao choro e não mais me reconheci.
 
Acredito que todas as vezes que uma mãe “planta uma estrela no céu”, anjos protetores ficam comovidos e sensibilizados e se unem para ajudar. Sabem que diante dessa dor extremada e dilacerante  a “loucura” pode fazer com que cometamos desatinos. Desta forma, os anjos condoídos com a minha situação resolveram intervir. Deram-me paciência para enfrentar os dias, resiliência para suportar a vida e fé para despertar a esperança no reencontro e acalmar minha alma.
 
Precisei colocar minha memória para “descansar” e aquietar todas as perguntas que ficaram sem respostas, já que a vida ainda pedia passagem.
 
Lembranças no passado e crenças no futuro foram antídotos para fazer a tristeza recuar e se tornar mais modesta.  Aos poucos e timidamente a alegria foi retornando. 
 
Dentro de mim, alegria e tristeza começaram a dialogar, fizeram um pacto de convivência. A alegria nunca mais poderia reinar sozinha, pois  sempre tropeçaria na tristeza. A tristeza, por sua vez, mesmo soberana, não poderia expulsar a alegria, despertando  memórias, remoendo  fatos. Teria que ter parcimônia e misericórdia.
 
E assim se fez. Um sorriso amarelo, depois um sorriso de canto de boca, outro sem compromisso, até que a gargalhada acontecesse novamente.
 
Trabalhoso, tudo muito trabalhoso. Mas, nasci com a alegria, morrerei com ela e com mais uma porção de sentimentos e emoções que me fazem gente. Se meus olhos ainda se abrem,  se meu coração ainda bate, se minha família e amigos ainda existem, é porque ainda preciso caminhar.
 
Pra finalizar  trago Lulu Santos:  
 
“Nada do que foi será/ de novo do jeito/ que já foi um dia.../ Tudo passa, tudo sempre passará.../ Não adianta fugir nem mentir pra si mesmo/ agora/ há tanta vida lá fora e aqui dentro – Sempre!”

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