Vozes angelicais

Por: Everton de Paula

Ouvimos tantas vezes a expressão “uma voz angelical”, que eu comecei a imaginar como seria a voz de um anjo. Fiz algumas pesquisas e descobri que uma voz de anjo parece-se muito com a de uma pessoa dizendo “Levante-se!”
 
Até a altura em que comecei, a pesquisa tinha sido interrompida porque estava baseada na ilusão de que a voz de um anjo teria sempre que ser bonita.
 
A palavra “Levante-se” raramente é bonita, e nunca o é menos que às sete da manhã. No entanto, é isso que os anjos sempre dizem quando falam aos homens, conforme está na Bíblia. Não consigo imaginar nada que um anjo tenha dito senão “Levante-se e se aprume. Siga em frente!”
 
Um anjo vem a Pedro na prisão e diz: “Levanta-te depressa.” Um anjo diz a Gedeão: “Levanta-te e parte com todo o teu poder.” Um anjo diz a Elias: “Levanta-te e come!” Um anjo aparece a José num sonho, quando Herodes está matando os inocentes, e diz: “Vai depressa.” Um anjo surge a Filipe e diz: “Levanta-te e vai.”
 
Na verdade, parece-me que os anjos são conversadores monótonos. Eles repetem sempre a mesma coisa – “Levanta-te, depressa.” Mas uma campainha de alarme de incêndio também é monótona, pela ordem repetida – um som estridente querendo dizer “Levante-se, salve-se.”
 
Preste bem atenção. Nos momentos mais aflitivos de nossa vida, sempre há um anjo por perto, por mais negra que seja nossa sina. Apesar da dor, da queda, do baque, lá está um anjo ordenando que nos levantemos, enfrentemos a dor e sigamos em frente.
 
Preste atenção, insisto: você poderá ouvir a voz dos anjos sobre o barulho do mundo atual, uma voz que nos deveria fazer levantar das cadeiras de descanso e das camas confortáveis, ou do chão quando estivermos prostrados: “Levanta-te, vai depressa!”
 
A ação para superar uma dor não vem pronta dos céus, como uma receita de bolo. A ação depende de nós. Aos anjos, cabe a divina missão de nos alertar para que não nos deixemos abater. Sofrer faz parte de nossas vidas, mas agir, seguir em frente apesar de tudo é próprio da criatura em evolução. Busquem exemplos nas pessoas sofridas do Nepal que, diante de tamanha e terrível perda de seus entes mais queridos, levantaram-se para erguer a sua própria vida, para reerguer uma cidade, para continuar na espiral ascendente da evolução espiritual.
 
Imagino quantos anjos ali estavam amparando e ordenando a marcha da continuidade. Não pensemos, no momento da dor, em ausência de amparo da espiritualidade; antes, tomemos ciência de que nunca estivemos sós, e que haverá a hora da reparação. A voz dos anjos está por todos os lados: refinemos nosso espírito para ouvi-la e atendê-la o melhor possível, dentro de nossas forças.

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