O bandido da cartucheira

Por: Marcos Cason

Foi nos anos 70. Não havia homem do saco, bicho papão ou lobisomem para fazer as crianças “entrarem pra dentro” de casa. Bastava dizer que o Ramiro da Cartucheira estava na redondeza que a criançada disparava para dentro e ia dormir.
 
Lembram-se? Adultos não andavam sozinhos à noite pela cidade ou zona rural. Os pais temiam pela vida dos filhos. As casas eram bem trancadas e todo crime não solucionado era relacionado ao bandido. 
 
Mineiro de Jaboticatubas, Ramiro Matilde Siqueira amedrontou a zona rural dos Estados de Minas Gerais, São Paulo e Goiás a partir do ano de 1974. Por cometer a maioria de seus crimes com disparo de uma espingarda cartucheira, ganhou a alcunha de Ramiro da Cartucheira. 
 
Fazendeiros se protegiam, pois eram as principais vitimas do bandido.  Fez dez vitimas na região de Franca. Em Sacramento matou um lavrador e sua sobrinha a golpes de machado. A policia alcançou-o em Corumbaíba, Goiás no dia 11 de setembro de 1980, aos 33 anos, depois de atirar em um recenseador do IBGE, em um casebre na zona rural. Dizia que sua pena devia dar “uns 135 anos, e que pagaria alguns e o restante vocês pagam pra mim”.
 
Um ano depois, foi achado sem vida em sua cela. A causa da morte foi justificada como ataque cardíaco. 
 
Atualmente para passar medo nas crianças não basta chamar o homem do saco ou o Ramiro. 
 
Basta dizer...
 
Espere aí, as crianças de hoje tem medo? 

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