Ausências

Por: Elisa Silva Ferreira

Desde que nascemos  nos deparamos com perdas... A primeira delas é deixarmos o conforto maravilhoso do ventre materno para enfrentarmos  a hostilidade do desconhecido, do desconforto... Então, choramos! Protestamos, em altos brados, tentando nos comunicar. E quando, de alguma forma, somos atendidos em nossas necessidades mais elementares, acalmamo-nos e até dormimos, descansando desse primeiro e terrível  estresse... Mais tarde, ao aprendermos a caminhar perdemos o colo físico... Que bom não perdermos nunca o colo emocional materno, que nos alivia e conforta das lutas e  mazelas diárias que nos torturam na grande batalha da vida...Aí, pensamos que somos independentes, auto-suficientes e começamos – a duras penas- a aprender que para cada ganho há uma perda; para cada escolha, uma renúncia.
 
No decorrer da vida sofremos pequenas e grandes perdas, algumas irrecuperáveis. Insubstituíveis.  Mas, todas elas, sem exceção, nos marcam na alma e no coração como tatuagens, de forma definitiva, permanente!
 
Conhecemos a síndrome do ninho vazio quando os filhos se vão, para estudar e/ou quando se casam. Mudam de cidade ou até de país em busca de seus sonhos.. Então, choramos! Oramos para que tudo transcorra bem em suas vidas. Que Deus os guarde e os abençoe sempre e que sejam  muito felizes- almejamos.
 
Entretanto, temos visto algo muito assustador e antinatural: pais e avós enterrando filhos e netos! A dor sem nome nessas vidas e nesses corações é devastadora. De tal forma  que não há alento e nem palavras para descrever! Só a misericórdia divina para ampará-los, fortalecê-los. Para que prossigam, ainda que mutilados, em frente! Que Deus os conforte com seu bálsamo misericordioso de Amor!

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