Mãos

Por: Lúcia Helena Maniglia Brigagão

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Quem primeiro dá a mão é a mãe, que apóia, ensina, ampara, conduz e equilibra. Depois, os professores, que entregam o conhecimento das gerações passadas e nos  tornam aptos a fazer novas descobertas e ampliar nossos horizontes. Colegas são importantes e, pelas suas mãos, podemos ir ao inferno ou ao paraíso. Andar de mãos dadas significa carinho, grande amizade e só no ocidente os homens não o fazem porque aqui o gesto tem conotação sexual; no oriente, todavia,  é comum vê-los caminhando lado a lado, conectados pelo gesto. Os membros da família real inglesa jamais se dão as mãos em público. Mãos são eloqüentes, sem palavras. Aperto de mão significa conivência, compartilhamento, condescendência, apoio, proteção. Toque de mão  às escondidas, sub-reptício,  por sob a mesa,  alerta, avisa, instrui, orienta. Mãos limpam lágrimas, afagam. Mãos acariciam, mas punem. Mãos ajudam na despedida, porém enforcam. Mãos assinam cartas de amor e sentenças de morte. Escondem o rosto, no desespero. Arrumam o cabelo, no gesto coquete. São mudamente eloquentes. Mãos seguram outras nos momentos de profunda emoção materializando, solidificando e perpetuando gestos anteriores de entrega, companheirismo e afeto.  
 
(Lúcia H. M. Brigagão)

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