Momento na praça

Por: Caio Porfirio

O que me encanta é aquela estrela – disse ela. Pois o que me encanta é estar aqui, sem pensar nada – disse ele. Pois o que me emociona é esta noite bonita – disse ela. Pois o que me emociona é olhar e só ver um velho passando lá longe – disse ele. Pois o que me aborrece é este silêncio – disse ela. Pois o que me aborrece é esse seu aborrecimento – disse ele. Pois então vamos embora – disse ela. Pois se é o que você quer, tudo bem – disse ele. Pois agora me deu vontade de chorar – disse ela. Pois segure a minha mão – disse ele. Pois é para já – disse ela. Pois vamos andando até aquele banco – disse ele. Pois tudo bem – disse ela. Oquei - disse ele. Pois eu vou lhe contar uma coisa – disse ela. Pois pode contar – disse ele. Pois fique sabendo que, apesar do seu sorriso, eu gosto de você – disse ela. Pois fique sabendo que, apesar do seu ar de choro, também gosto de você – disse ele. Pois chegamos, vamos sentar aqui – disse ela. Pois vamos – disse ele. Pois agora, sentados, estou com vontade só de uma coisa – disse ela. Pois fique sabendo que eu também – disse ele.  
 
Beijaram-se longamente, sentados juntinhos, no centro da praça deserta. Depois, ela enxugou as lágrimas e ele se desfez do sorriso. 
 
A noite e o vento corriam e os pés deles brincavam entrelaçados em carinhoso bailado.
 
Ela sentiu vontade de rir.
 
Ele sentiu vontade de chorar.
 
 
Caio Porfirio,  escritor,  crítico literário, secretário administrativo da União Brasileira de Escritores, ganhador do Prêmio Jabuti
 

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