Sala de cinema

Por: Lúcia Helena Maniglia Brigagão

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Eram poucas as opções de lazer urbano. Diferentes cidades, diferenciavam-se pelo luxo. Amplas; telas pequenas em relação ao espaço; som ruim, o que não fazia muita diferença: os recursos da tecnologia também o eram. Calor insuportável quando lotadas.  Antes da exibição do filme havia música nas caixas de som, e os rapazes, de terno e gravata, andavam em círculo nos corredores dos espaços entre as poltronas, de olho nas moças já sentadas, com bolsa sobre a poltrona ao lado a ser ocupada pelo paquera tão logo as luzes apagassem. Namorados firmes se sentavam juntos com luzes ainda acesas. Nos filmes tristes, chorávamos. Nos faroestes, torcíamos pelos mocinhos. Nos de suspense, tremíamos. Raríssimas eram as cenas ousadas. Na metade, até o final do século passado, Odeon e São Luiz eram os cinemas centrais de  Franca. Neles foram vistos ...E o vento levou, A Noviça Rebelde, ET – o Extraterrestre, Branca de Neve e os Sete Anões, Os Dez Mandamentos, Tubarão, Dr. Jivago,  sete dos dez maiores sucessos de público da história do cinema.  Como hoje, o sonho acabava com o The End na tela e as cortinas se fechando.  
 
 
(Lúcia H. M. Brigagão)

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