Filhos

Por: Lúcia Helena Maniglia Brigagão

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Filhos saem da barriga da mãe e vão, direto, para as costas do pai. Financeiramente, dependem deles até quando chega a maturidade, cujo fim é assaz aleatório. Crianças, precisam de cuidados, desvelos, orientação, limites, direção, guias, regras para a sobrevivência e adaptação ao entorno. Adolescentes, precisam de idênticas diligências para que se posicionem com firmeza diante das circunstâncias; decidam o futuro; persigam sonhos e desejos. Jovens, se tiverem  sorte de cursar universidade, o pai em geral garante período de estudos e dá suporte à preparação para o mercado de trabalho. Terminado o extenuante período, já que sobreviveram, começam a montagem do escritório do novel profissional,  do consultório, da oficina, caso não tenha optado pelas especializações, que exigem mais escolaridade. E mais suporte. Quando pensa que acabou, o filho casa, ganha mais apoio traduzido em moradia, carro, enxoval, móveis. O pai respira aliviado, pensa que agora é o fim. Aí o filho volta, cheio de netos para os avós tomarem conta. Foi pensando nisso que Mário Prata, pai,  certa vez escreveu que “filho é bom, mas não acaba”.  Costas de pai são largas justamente para que, em quaisquer circunstâncias, os filhos se apoiem nelas.                        
 
 
(Lúcia H. M. Brigagão)
 

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