Utopia

Por: Chiachiri Filho

Thomas Morus, escritor inglês dos finais do século XV e inícios do século XVI, descreveu um país perfeito, com suas instituições funcionando perfeitamente, com um governo formado por pessoas honestas e competentes cujo objetivo único era a promoção do bem comum. A esse país chamou Utopia e a palavra utopia passou a designar  tudo aquilo que era impossível, improvável, enfim, tudo aquilo que não passava de um sonho, um desejo, uma ideia. Utopia nada mais é do que uma quimera, uma fantasia, uma construção ideológica sem fundamento na realidade. 
 
Recentemente, o ex-presidente Lula da Silva  declarou que seu partido político perdeu a “utopia”. Na verdade, trocou-a pelos cargos e funções  públicas, pelas propinas, pela manutenção do poder a qualquer custo.  
 
Sem dúvida, o partido do presidente Lula, antes de alcançar o poder, era coeso, programático, determinado, crítico, capaz de trazer esperanças ao povo brasileiro. Opunha-se à velha política da chantagem, do suborno, das falcatruas, das obras superfaturadas, da clientelagem, do coronelismo nordestino,  da compra de votos e de consciências.
 
Dizem que o poder corrompe. E corrompe mesmo! E tanto mais corrompe quanto por mais tempo ele permanece nas  mãos  de um grupo ou partido. Que pena! O povo brasileiro acreditou na  Utopia de  Morus apoderada  por Lula e seus correligionários e, agora, frustrado, revoltado, indignado, percebeu que lhe foi oferecido o Inferno de Dante.
 
A utopia nada mais é do que um método para se atingir o poder. Uma vez sentado no trono, o democrata vira tirano, o moralista vira corrupto, o defensor dos oprimidos vira carrasco. 
 
Há um ditado português que representa muito bem a situação em que nos encontramos:
 
- “Se quiseres conhecer o vilão, coloque o bastão em sua mão”.
 
Não, companheiro Lula. Seu partido não perdeu a utopia. A utopia  nunca se perde porque, na verdade, nunca se a tem. Pior, muito pior do que a utopia, o seu partido acabou perdendo a vergonha.
 
 
Chiachiri Filho, historiador, criador, diretor por oito anos do Arquivo Municipal e membro da Academia Francana de Letras
 

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