Meu mundo é pequeno

Por: Isabel Fogaça

Definitivamente, o Pedrocão é o meu lugar favorito em Franca, não apenas pela qualidade dos jogos que acontecem lá, mas porque, sem muito esforço, enxergo naquele local a possibilidade de retorno à infância.
 
Quando eu era criança as brincadeiras de que eu mais gostava eram aquelas que aconteciam na rua. As pessoas que nascem e crescem no campo, assim como eu, possuem a possibilidade de brincar na terra vermelha, e a poeira do solo refletida na roupa evidencia o nível de felicidade atingida.
 
Quando criança, eu tive o prazer de conhecer o topo de mangueiras; o privilégio de provar do sabor da cana e da lima retirada diretamente do pé. A mina de água da tia Elza era um santuário onde eu matava minha sede numa canequinha gélida que ficava escondida entre o lodo das pedras úmidas. O cheiro de café moído na hora era uma referência de dia delicioso, junto dos biscoitos de polvilho, e as broas de milho assadas no forno à lenha da tia Veva.
 
Soltávamos pipa; balançávamos em balanços improvisados, e escorregávamos com papelão no barranco. Nossos joelhos viviam em carne viva, e precisavam de uma “sopradinha”, pois o merthiolate era um remédio que ardia. Por este motivo, a televisão não era a prioridade, mesmo as mais modernas, aquelas que possuíam entrada para vídeo cassete.
 
Nos dias de hoje, vejo que muita coisa mudou. Afinal, a tecnologia cobre com pano preto as possiblidades de ser criança. Porém, no Pedrocão, eu ainda encontro esperança, assim que vejo imensas rabiolas; toalhas de piquenique; e, sobretudo, crianças pedindo ansiosas para tirar os sapatos à beira da diversão na terra vermelha.
 
 
Isabel Fogaça, professora
 

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