Crepusculando

Por: Eny Miranda

Caminheiro do ocaso,
Vou contigo:
Tez ocre, luz tênue.
Bússola apontando Norte,
Olhos descobrindo Oeste,
Alma Azul, coração Leste.
 
Caminheiro do ocaso,
Sou contigo:
Adernada asa em voo livre.
Trago-te, agora, cravado no peito,
Aderido às entranhas
- As mesmas onde brotaram meus brotos,
Pequenas auroras, ora poentes.
 
Os movimentos descendentes me fascinam
E me assustam.
Assusta-me a eternidade,
E me fascina,
 
Assim, pousada na tarde
Leve e densa e terna,
Conduzindo o sol ao noturno abrigo,
Amparando a Lua, solta, brotada no ar
Aquecido ainda nas últimas chamas.
 
Sonhos, sons, rumores longínquos,
Passado e futuro...
Amores e dores orvalhados de tempo...
Longos fios de ouro e breves fios de prata
Entretecendo o dia, a noite, a vida...
Puro enredo.
 
Um leve tremor, um toque de brisa,
E tudo se desfaz
Em pequeninas ondas de luz e breu.
 
 
Eny Miranda, médica, poeta e cronista
 
 

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