D. Altina

Por: Lúcia Helena Maniglia Brigagão

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D. Altina nem sonha o quanto é importante na minha vida .  Meus três primeiros bebês nasceram  em 1972, 74 e 75 e em todas as três ocasiões ela, altiva e linda dama, foi quem me recebeu na maternidade.  Na primeira vez, apresentei-me: era filha de antiga conhecida sua,  cujo último parto ela  assistira anos atrás, tão logo começou a trabalhar na profissão. Riu-se da coincidência e ajudou bastante no difícil parto que tive. Riu-se também quando, por  dois anos seguidos voltei à maternidade para receber dois outros filhos. Ao se despedir  de mim, na terceira vez, vaticinou que eu teria mais um bebê e que me esperaria na portaria quando fosse o momento.  Não deu tempo. Sua aposentadoria veio antes. Ajudou-me nas tentativas de amamentação, pôs o primeiro par de brincos na minha filha. Com maestria colocou uma rolha trás do lóbulo da orelhinha, marcou o local da perfuração, verificou a ponta do brinco  de bolinha de ouro e zás! O bebê só vagiu. Baixinho. Imagino o coro de mais de 1000 crianças que ela viu nascer, cantando Parabéns,  dia 4 de agosto, quando ela completou 94 anos.
 
 
(Lúcia H. M. Brigagão)

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