Aeroporto de Congonhas, 1950

Por: Lúcia Helena Maniglia Brigagão

295142

Aeroporto de Congonhas, 1950. Crianças paulistanas bem comportadas ganhavam, como prêmio, passear nos finais de semana e feriados no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo. Turistas do interior do país inteiro faziam o mesmo passeio. A atração eram os amedrontadores aparelhos que subiam aos céus, com o bojo recheado de gente, fazendo ensurdecedor barulho. Viajar de avião era coisa de milionários, pensávamos: homens de terno, gravata, chapéu; mulheres com roupas elegantes, algumas de chapéu e luvas, que carregavam duas bolsas nas mãos: uma, da cor dos sapatos, outra, a frasqueira com tesourinhas, acetona, pastas. Alguns aviões não saíam dos limites nacionais; outros iam para o exterior. Nenhum daqueles aparelhos, de hélices, tinha grande autonomia de voo. Os que singravam apenas os céus brasileiros faziam pequenas escalas estratégicas internas, para reabastecimento. Os outros, com destinos mais distantes, paravam primeiro nos estados do nordeste, depois nas Ilhas Madeira, e em algum outro lugar da África, antes da destinação final. Fumar dentro do aparelho era permitido. Quando muitos os fumantes, formava-se nuvem que pairava sobre as cabeças no teto do avião, como se fosse chover. Não se revistava ninguém, os talheres eram de metal e todo mundo se apaixonava pelas aeromoças. 

Envie seu texto
e faça parte do Nossas Letras