Devagarzinho

Por: Isabel Fogaça

Tadeu possui olhos fundos e sobrancelhas com marcas do tempo. Ele é dono de um dos mais conhecidos restaurantes da cidade, fruto de sua alma terna e de uma enorme responsabilidade com seus clientes. Tadeu conheceu Juliana há três anos, ela era garçonete em uma pizzaria que ele costumava frequentar, e mediante os olhos intensos e sorriso honesto da garota, ele a chamou para trabalhar em seu restaurante. Porém ela, que possuía estabilidade na pizzaria, recusou o convite, mas ofereceu seu número de celular.

Nestes últimos três anos, em conta de um amor maior que o peito, Juliana foi morar fora. Afinal, quando se é jovem e possuidora de um coração com todas as veias, artérias e batimentos destinados ao amor, apenas se ama, e se ama loucamente. Juliana abandonou a família; não terminou o curso de pedagogia; sofreu; chorou, e agora, após três anos, seu coração está doente; frágil e distendido, tanto que constantemente me pergunto: “como olhos tão intensos podem possuir um coração tão frágil? ”.

Juliana retornou a Franca, com a tentativa constante de construir seu castelo de baralho, e enquanto rolava na cama em busca do próprio sentido, três anos após ter conhecido Tadeu, ele ligou no número que ela havia entregado a ele naquela noite na pizzaria. E mais uma vez, gentilmente, ofereceu o emprego em seu restaurante, e desta vez ela aceitou.

Histórias como a de Tadeu e Juliana nos levam a crer que as chances de algo dar certo nesta vida são subjetivamente angustiantes. Tadeu, por fim, tem hoje, através da paciência, a sua melhor garçonete. E à Juliana segue o exemplo de ser paciente com seu coração. Com olhos tão intensos como os seus, nos próximos três anos mil amores virão.

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