Virtualidades

Por: Maria Luiza Salomão

Estamos entrando em novas nossas letras...virtualizamos. Olho no dicionário, sobre a origem da palavra – virtual, que vem do latim medieval, é virtude, força, potência. No português atual, vários significados:

* O que existe como faculdade, porém sem exercício ou efeito atual

* Que não existe como realidade, mas sim como potência ou faculdade

* O que é suscetível de se realizar, em potencial, como possibilidade viável

* Que equivale a outra coisa, podendo fazer as vezes desta, em virtude ou atividade

* O que está predeterminado, e contém as condições para que seja realizado

Vemos que o termo acena para um estado de potência.

O nosso Nossas Letras, digitalizado, vem, hoje, sem o velho suporte do papel, tinta, objeto concreto que recebemos manhãzinha em voo das mãos do motoqueiro porta a porta. Nós o teremos às mãos, objeto concreto, sonoro ao folheá-lo, palpável, uma vez ao mês, doravante.

É outro tipo de realidade. Graças à nossa incansável editora, Sônia Machiavelli, que insiste, persiste, resiste na luta em agregar os escribas francanos, os que amam a leitura, a literatura. Saídas existem para quem acredita nelas. Ela acredita e credita.

Ao escrever, sabendo que não terei o objeto-jornal nas mãos, nenhuma sensação diferente. Penso nos leitores, e parece tudo igual.

Mas...será? Algo me toca diferente, ou não teria ido ao dicionário para pensar na realidade virtual do Nossas Letras. Eu, que guardei durante 15 anos, completos em julho p.p., os encartes (e depois tablóides) de todos os meus textos, e dos colegas (mas minha faxineira desfez de boa parte...). Guardo, doravante, nas nuvens, com maior garantia do que dantes, a salvo de incêndios e da minha boa e distraída faxineira.

De que jeito me pega essa virtualidade? Estou, assim, presente na época em que vivo. A realidade das coisas é dada e sentida diferentemente do que décadas, até diria que poucas décadas, atrás. É mais econômico, mais ecológico, mais correto até, termos a comunicação virtual, digital, e não mais concreta, sensorial, jornal à mão. Então, o quê?

- talvez o silêncio infinitamente amplo em ondas superficiais e profundas ~~~

- talvez a resposta dos leitores mais dispersa - - -

- talvez a descrença de que um alguenzinho que mora bem longe daqui, tenha acesso às nossas letras, por não saber ou não querer usar as virtualidades,

- talvez nostalgia, e isto eu não gosto de sentir, não gosto!

- talvez a resistência ao novo? (cruzes!)

- talvez eu me sinta ultrapassada... ah, não, não! Quero ser ultrafutura, e sabe de uma coisa? Acho que já estou me acostumando...

Psiu: você, leitor, que clicou, ciscou e me achou: deixe uma mensagem qualquer, vale um “oi”, vale qualquer sinal gráfico. Vale o mínimo diálogo potencializado e virtuoso, forte, para que o futuro nos acene exato, econômico, e denso; tenso, no fio invisível que nos une, e duradouro! 

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