A pena e a galinha

Por: Chiachiri Filho

A imprensa brasileira divulgou, semanas atrás, a opinião do ministro Teori Zavascki, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal, sobre a quantidade de pessoas envolvidas no processo relativo à corrupção na Petrobrás. Escandalizado, disse o Ministro:

_ Puxa-se uma pena e sai uma galinha.

Data vênia máxima, discordo do ilustre ministro do STF. Na verdade, a galinha ainda não apareceu. A galinha, a galinha dos ovos de ouro, ouro tão profusamente distribuído entre os companheiros, continua preservada, escondida, protegida, guardada em lugar seguro e, por enquanto, inatingível.

Até agora, por trás das penas aparecem uns pintainhos, uns franguinhos. Sim, têm aparecido também alguns frangões gordos, bem apessoados, bem nutridos. Pegaram também alguns garnisés neurastênicos. Mas, nada da galinha. A verdadeira galinha continua em lugar certo e bem sabido, mas inalcançável pelas mãos do Moro. Aliás, na minha modesta opinião, a preocupação maior não deve ser com a galinha. A chave da questão está no galo. No galo de crista em pé, barbela, esporas grossas e afiadas, canto forte, rouco e arrebanhador. Puxando-se a pena do galo, a operação Lava Jato estará completa, esclarecida e encerrada.

Enquanto isto, é bom nos contentarmos com as penas: as penas dos galináceos e as penas da lei que procuram limpar o pau de galinheiro em que se transformou a política nacional.

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