Balança de valores

Por: Isabel Fogaça

Muitas pessoas se distanciam do que são por essência, e se cegam perante a árdua busca de sinônimos fúteis do que denominam "felicidade". Pobres aqueles que dia após dia atrofiam o próprio coração, domados inteiramente pela ganância e pelo falso romantismo de ser apaixonado por aquilo que esvai a singularidade da vida. 
 
Pobres são aqueles que não tiveram tempo ou coragem para apreciar aquilo que chamo de "lua feita de queijo", a maior e mais impressionante lua que dá seu beijo de despedida em julho e saúda agosto. 
 
Pobre daqueles que não possuem amigos com bocas cheias de dentes, e olhos feitos de verdade e compaixão. E miseráveis são aqueles que possuem a possibilidade de amar seus amigos e amantes e não amam; não surtam; não desmoronam. 
 
Pobres são aqueles que nunca viveram de amor por três dias seguidos. Afinal, três dias são como os três rounds num esporte de tatame, ou três tempos num jogo de vôlei. Em três dias intensos você já pode dizer se gosta realmente de alguém. E afortunados são aqueles que vivem dia após dia com o coração. Engole de um até três todas as migalhas espalhadas pelo caminho, como se fosse um canarinho faminto. 
 
Feliz e afortunado é aquele que ama desde o olhar sincero do seu parceiro, até o cheiro frutal de seu desodorante; aquele que sente constantemente o gosto da ansiedade na boca e nem por isso deixa de limpar fiapos de grama sutis nos trajes de quem está ao seu lado. Feliz e afortunado é aquele que possui a companhia de pés quentes, quando os seus são frios. E um corpo coberto de desejo e suor que também esteja disposto a apenas abraçar. 
 
Pobres aqueles que sentem um vazio constante, miseráveis aqueles que não buscam solução. Afortunados aqueles que se apossam do vazio e em três dias descobrem que podem ser cheios de tudo...
 

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