Reflexões sobre o fogão

Por: Chiachiri Filho

O fogão sempre foi um equipamento essencial dentro de uma casa.  Sua função era tão importante que, antigamente, a população era agrupada em Companhias de Ordenanças  que se constituíam pelo número de “fogos” existentes.
 
Cada domicílio, cada choupana, cada casa de moradia era formada e contada como um “fogo”, como um fogão que cozinhava os alimentos e sustentava os seus moradores, os seus agregados e escravos. O “fogo”, portanto, era a unidade de  medida dos moradores das chácaras, bairros rurais, freguesias e Vilas. As maneiras de se contar a população são, em nossos dias, outras. As ligações de água, de energia elétrica, a pesquisa por amostragem são algumas que, no entanto, não substituem a contagem direta da população.  
 
Mas o fogão  continua sendo um equipamento fundamental em uma casa.
 
Lembro-me ainda do fogão à lenha que cozinhava os alimentos em minha casa. Ficava, evidentemente, na cozinha cujo forro era de treliça e a fumaça saía  pela chaminé. Aliás, as chaminés eram parte integrante da arquitetura das casas. Uma figura que se integra neste contexto é a do lenhador. Era uma profissão perigosa. Muitos perderam parte do pé ou tiveram um de seus olhos furados por uma lasca de lenha. Eu, de longe, gostava de vê-los manejar o machado para deixar a lenha fácil de ser introduzida no fogão. Acender o fogo era outra trabalheira, principalmente se a lenha ainda estivesse úmida. Dizem que a comida feita num fogão à lenha é muito mais saborosa. Deve ser mesmo: mais saborosa e mais trabalhosa.
 
Em vista da trabalheira que dava um fogão de lenha, meu pai comprou um fogão elétrico. Ele tinha quatro chapas e, por baixo das chapas, ficavam as resistências. A facilidade foi outra. Porém, ninguém podia tomar banho enquanto o fogão estivesse funcionando: o fusível estourava na hora.  
 
Por fim, veio o fogão a gás. Além de prático era mais econômico e não dependia das variações do fornecimento de energia elétrica. O fogão a gás permaneceu e continua soberano em nossas cozinhas sem que os pais precisem rachar lenha e as mães acenderem o fogo de manhã. Porém, prezado leitor, ainda fica-me a saudade de um franguinho ao molho feito numa panela de ferro de um fogão à lenha.

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