Em busca de explicação

Por: Maria Rita Liporoni Toledo

Ivete saiu à luta em busca de um emprego de cozinheira, já que neste mister tinha o gosto e a arte nele requeridos e prática, pois sua prole numerosa o exigia. O momento lhe era favorável, os seis filhos, todos menores, estavam em idade escolar e os mais velhos cuidavam dos mais novos. Com um anúncio de jornal nas mãos tocou a campainha e deparou-se com uma moça linda, sorridente, magrinha, mãe de duas crianças vivazes, pequenas ainda. A empatia foi instantânea e quando voltou para casa o serviço estava acertado.

A patroa ocupava-se em seu prestigiado escritório, ela coordenava a casa e esmerava-se em preparar os alimentos. Foram tempos de convivência amistosa, muito labor, mas a alegria e o riso davam o tom naquele ambiente onde um ar festivo predominava. A cumplicidade entre elas tornava Ivete amiga desta jovem delicada e ao mesmo tempo de personalidade impactante.

Uma doença fatal manifestou-se na patroa, tão jovem, já marcada pelo destino. Ambas enfrentaram os tratamentos, as vitórias e os reveses. A natureza foi pródiga com ela, pois sobreviveu por mais algum tempo, acompanhando o crescimento dos filhos à juventude. Foram anos intensos: viagens, passeios, congraçamentos que aconteciam entremeados às internações e recorrências E assim foi até Ivete acompanhá-la ao ultimo leito de hospital, onde numa noite fria de maio, sem muito sofrimento, ela despedia-se da vida terrena.

Não haviam secado as lágrimas pela partida recente; poucos dias após, Ivete é atirada ao solo, de uma moto conduzida por seu marido, e se fere mortalmente.

As dúvidas e afirmações surgiram espontaneamente. Seria coincidência, seria imposição do destino, seriam as mortes tão próximas, de pessoas tão ligadas, sinais de outras vidas? Seria um encontro em vida para um enlace de almas em outro mundo? A fé poderia explicar, mas respostas racionais ainda não as temos para os grandes mistérios da vida e da morte.

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