A Casa da Vida

Por: Angela Gasparetto

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Era uma casa antiga, com janelas grandes de madeiras. Em frente havia um enorme flamboyant que floria na primavera e sempre apontava o caminho de volta, ao longe na estrada.

Sempre que percorria aquela estrada que levava à casa, seu coração se enchia de alegria, de reconforto, de lembranças, retratos de um tempo.

Na escada de pedra ela sempre a esperava. Seu avental branco destacava em contraste com o vestido florido. Seus cabelos cada vez mais brancos a cada chegada sua. Mas seu sorriso era o de sempre e nos seus olhos a moça conseguia sempre se ver como ela a via, uma garota boa, ingênua, querida, amada.

Percorriam a casa conversando de braços dados e a moça ia sentindo o perfume dos cabelos dela. Um cheiro de avelã misturado ao cheiro da casa. Ela ia mostrando tudo, as plantas, a cozinha reformada, alegria em ver as orquídeas que começavam a nascer.

Já a moça ia enlevada na sua segurança, no seu conforto, no seu cuidado de sempre, na certeza de uma vida plena.

Já a moça, ah a moça, a moça... só queria esquecer a mulher livre que se tornou, a negociadora implacável; a solitária contumaz.
Já a moça, só queria pular na sua cama antiga, sentir o cheiro antigo, dormir os sonhos das meninas ingênuas e nunca, nunca pensar que uma delas iria partir daquela casa um dia.
A casa da VOLTA, da volta da VIDA.
 

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