Por que deixamos de chorar?

Por: Isabel Fogaça

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Dia desses vi uma criança aos prantos na porta de um mercado popular e fiquei imaginando os possíveis motivos de angústia da pequena: seria fome? Seria a revolta pela mãe que não comprou seu pirulito favorito? Ou seria um beliscão dado pelo irmão mais velho?! Estas são apenas hipóteses que nunca serão resolucionadas; afinal, não investiguei os verdadeiros motivos do pranto. Mas este caso me fez pensar em outra coisa: quando somos crianças chorar é muito natural, mas por que deixamos de chorar quando crescemos?

Ainda intrigada com o caso, li hipóteses em artigos virtuais que diziam que as crianças choram pela falta de palavras. Bebês precisam avisar suas mães quando estão sujos; com fome, ou precisando de um pouco de afeto, pois ainda não sabem expressar suas mais humanas necessidades e satisfações, e externam na forma de angústia ou de birra.

Lendo tudo isso, lembrei-me de quantas vezes senti vontade de chorar e segurei meu pranto dentro das próprias pálpebras como se fossem filhotes de canguru guardados com muito esmero na barriga da mãe. Seja por um machucado dolorido feito pela faca lambuzada de manteiga; por uma briga de palavras sujas; ou pelo coração partido, diversas vezes reprimimos a vontade de chorar por vergonha.

Somos um acaso do universo, formados, cientificamente, pelo o pó de estrelas mortas. Desenvolvemos músculos, ossos, órgãos que funcionam melhor que qualquer máquina da Revolução Industrial. Somos capazes de resolver cálculos, decifrar doenças, e descobrir o poder curador das plantas. Poetas choram; apaixonados choram; bebês dotados de uma capa frágil e um coração repleto de inocência também choram.

E por que ainda reprimimos a vontade chorar?
 

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