Imprevisto

Por: Maria Rita Liporoni Toledo

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O seu companheiro era admirável. Fazia-a feliz e dirigia a casa com liderança e firmeza. Era gentil, alegre e a tinha como parceira. Respeitava a profissão dela e admirava seu sucesso. Relacionavam-se bem com as famílias, tinham amigos e dinheiro com sobra. Tudo ia bem na vida deles, o tempo passou e dor e choro enodoaram de sangue esta felicidade. Ela foi mãe de dois filhos: um morreu, outro matou. Suportou o sofrimento intenso e diferente, transitou pelo coração e pela razão.

Nas duas situações sentiu-se pequena e impotente. Nada ao seu alcance poderia ser feito para evitar as tragédias inexoráveis. Uma de cada vez, absorveu-as conforme suas forças e seguiu em frente. Este é o rumo da vida, todos os dias o sol nasce para nos dizer que a vida está começando ali, naquele momento, que temos de prosseguir. Mesmo que sentimentos controversos, dúvidas, culpa e tristeza tenham invadido sua mente como um tufão, causando desmoronamentos e sulcos nunca mais preenchidos, a vida continua e estar vivo significa viver

O pai tomou as providências necessárias e legais. Foi de muita valia sua atuação. Poupou-a de sofrimentos reais e inevitáveis. Do filho morto, restaram as lembranças e a saudade infinita. Do outro, o perdão.

Como nos ensinam os gregos, através do mito da Fênix, a ave que ressurgia das cinzas após a morte para viver novamente, este modelo aplica-se ao ser humano, ao seu renascimento espiritual, pois foi assim que ela prosseguiu sua vida, foi feliz novamente e exempla-nos com sua perseverança e confiança na vida. 

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