Dedicação

Por: Maria Rita Liporoni Toledo

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No imenso mistério que é a vida, há pessoas que devem ser observadas pelo modo como conduzem as suas vidas, os detalhes de suas histórias, os seus valores éticos. Aquelas que irradiam paz e bondade. Numa época, como a nossa, em que a insensibilidade diária predomina, não é fácil encontrar pessoas generosas, atenciosas que prestam serviço para outros e mantém a humanidade. Falo de Tianinha, costureira que comemorou, recentemente, sessenta e cinco anos de trabalho constante!

Em criança, costurava roupas para bonecas e aprendendo o ofício, aos quinze, nunca mais parou. Sua figura pequena oculta a firmeza de quem criou dez filhos com os pés na máquina de costura, as mãos entre sedas e cetins, os olhos abertos até altas horas, muitas vezes vendo a luz da aurora penetrar pela janela. Ainda hoje não sabe deixar uma freguesa sem atendimento, sempre encontra um tempinho para aquela retardatária que urge uma peça nova. Trajes para noivas, de luxo para madrinhas, esportivos para praia, sóbrios para montanha, para o dia a dia, enfim, ela confecciona todo tipo de roupa. Está tão prática que quase dispensa as medidas, suas mãos mágicas vão conduzindo a tesoura e dando forma aos tecidos. Não precisaria trabalhar mais, viúva, filhos encaminhados, aposentada, mas o faz por gosto.

A pessoa pode passar anos sem procurá-la, mas ela está, sempre, no mesmo lugar, no seu salão de costura, anexo a sua casa. É só chamar e ela responde com alegria, pureza, simpatia e até com um suave aroma que sua presença propaga.

A simplicidade - suprema virtude - a paciência, a presteza, condensadas em suas atitudes, exprimem o bem que nos comove a tornar-nos mais fraternos.                      

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