Vida boa

Por: Angela Gasparetto

301547

Caminho até a janela e olho para fora. Sinto repentinamente uma vontade de colher uma jabuticaba no pé e sentir o gosto doce da fruta, rir o riso fácil das crianças no afã do sabor, voltar no tempo.

Ah... vontade de tardes quietas, tempo morno, primavera chegando, um livro à mão, um espreguiçar à rede.

Ah... saudade de tardes no pomar, de mangueiras “monstras”, de assustadores abacateiros.

Daquela canjica doce, sabor de amendoim torrado, de lampejos de festas. Da garapa doce, da cana doce, do doce que era mais doce, porque era de amor.

Saudade destes ventos mornos, destas tardes longas de fazenda, de conversas fiadas à mesa, do café da tarde; café com bolo, leite quente, risos soltos...

Varais ao longe, roupa branca tinindo de azul-anil...

Saudades das noites silenciosas com lampejos que tremulam, da lamparina velha, de aconchego, de espera por uma vida que seria bela.

E medo, medo de não conseguir alcançar mais esta paz, esta simplicidade e principalmente este estilo de viver sem compromissos urgentes, mas de promessas de vida boa, de longa vida, de vida sempre!
 

Envie seu texto
e faça parte do Nossas Letras